
Crédito, Reuters
- Author, Brandon Drenon
- Role, BBC News
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Tempo de leitura: 5 min
Aviso: esta reportagem contém detalhes perturbadores e relatos de uma tentativa de suicídio.
“Havia sangue por toda parte.”
Foi assim que Patrick Clancy descreveu o que encontrou ao voltar para casa, no dia em que descobriu que seus três filhos haviam sido mortos.
Patrick contou que a casa “estava incomumente silenciosa” e que a porta do quarto estava trancada.
“Foi nesse momento que soube que algo estava errado”, afirmou.
Ele encontrou a ex-esposa caída no quintal, depois que ela pulou da janela do segundo andar, com “cortes profundos nos pulsos e uma linha vermelha atravessando seu pescoço”.
Segundo a Promotoria, Lindsay tentou tirar a própria vida depois de estrangular os três filhos com faixas elásticas de exercício no porão da casa da família, em janeiro de 2023.
Ela se declarou inocente.

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A acusação
Lindsay Clancy foi acusada de três crimes de homicídio em primeiro grau pelas mortes dos três filhos: Cora, de 5 anos; Dawson, de 3; e Callan, de 8 meses.
Seus advogados alegam que ela “sofria de psicose naquele momento” e não negam que ela tenha cometido os assassinatos.
A mulher acompanhou os dois dias de depoimento do ex-marido no tribunal, sentada em uma cadeira de rodas após perder os movimentos depois de ter pulado da janela.
Quando Patrick prestou depoimento na quarta-feira, ela parecia visivelmente abalada.
Durante o julgamento, Lynday segurou a mão do advogado, com a cabeça virada para o lado, enquanto enxugava as lágrimas.
Os promotores questionaram Patrick Clancy os detalhes dos acontecimentos naquele dia, em uma tentativa de convencer o júri, formado por 12 pessoas, de que a mulher tomou uma decisão “calculada” de matar os filhos.
Ele contou que, em 24 de janeiro de 2023, saiu de sua casa em Duxbury, Massachusetts, e voltou mais tarde com comida entregue por aplicativo.
Ao encontrar a casa “incomumente silenciosa”, correu para verificar rapidamente os cômodos, incluindo o porão, antes de subir as escadas e descobrir que a porta do quarto estava trancada.
Dentro do quarto, Patrick disse ter visto sangue “por toda parte”.
Patrick contou que, em seguida, desceu correndo as escadas e saiu para a rua, onde encontrou a esposa no chão, com cortes nos pulsos e no pescoço. Ele então chamou os serviços de emergência.
Os promotores apresentaram fotos do quarto e depois questionaram Patrick sobre sua descrição, pedindo que ele confirmasse que não havia sangue visível nas paredes ou na roupa de cama nas imagens.
“Correto”, respondeu ele. “Nessas paredes e na roupa de cama”, enfatizou.
Com esse questionamento, a Promotoria tenta colocar em dúvida a autenticidade da tentativa de suicídio de Lindsay Clancy.
Em uma audiência preliminar realizada em 2024, Jennifer Sprague, a principal promotora do caso, classificou os cortes no pescoço e nos pulsos de Linday como “arranhões leves” e afirmou que ela “escorregou” pela lateral da casa, em vez de ter pulado.
Sprague questionou Patrick sobre a gravidade dos cortes e pediu que ele confirmasse se havia dito aos serviços de emergência que não acreditava ser necessário estancar o sangramento da ex-esposa.
Ele confirmou com a cabeça.
Patrick disse que depois que os serviços de emergência chegaram e sua esposa contou que as crianças estavam no porão, ele correu imediatamente para lá.

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Segundo Patrick, a primeira coisa que viu ao chegar no porão foi sua filha Cora.
“Ela tinha uma faixa em volta do pescoço”, disse, referindo-se a uma faixa elástica usada para exercícios. “E estava de bruços.”
“Corri imediatamente até ela e tentei tirar a faixa”, afirmou. Mas a menina já “não respondia”.
Em seguida, ele viu Callan, de 8 meses, ao lado da irmã, também com uma faixa elástica de exercícios em volta do pescoço.
Patrick disse que depois procurou por Dawson e o encontrou em seu escritório, também com uma faixa em volta do pescoço.
“Eu sabia que ele havia morrido”, afirmou.
Ele contou que ficou “indo de um lado para o outro” entre as crianças, tentando reanimá-las até a chegada dos serviços de emergência, que assumiram o atendimento.

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‘A voz de um homem’
Patrick declarou ao tribunal que sua esposa lhe disse, cerca de uma semana após os crimes, que havia ouvido “a voz de um homem” ordenando que ela matasse as crianças.
Ele acrescentou que, até então, nunca tinha ouvido falar em psicose.
Os promotores apresentaram provas, incluindo os pijamas ensanguentados das crianças, antes de reproduzirem uma gravação da ligação de Patrick para o serviço de emergência 911, o que fez Lindsay entrar em crise.
Ela abaixou a cabeça, colocou as mãos no rosto e começou a chorar de forma descontrolada, até que o tribunal decretasse um intervalo.
Os promotores ainda devem chamar outras testemunhas para depor e acreditam que o julgamento vai durar várias semanas.
Se for considerada culpada, Lindsay Clancy poderá ser condenada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Se for considerada inocente por falta de responsabilidade penal, ela será internada em uma instituição estadual de saúde mental.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


