Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, sabe apreciar as boas coisas da vida.
O bon-vivant das Laranjeiras, aponta relatório da Polícia Federal, degusta os mais finos, requintados e sofisticados vinhos e uísques. Frequenta os mais exclusivos endereços para, entre outros prazeres nababescos, fartar-se a opulentas garfadas de bife folheado a ouro.
Tudo custeado, segundo mostram as investigações da PF, pelo amicíssimo Daniel Vorcaro, o cara do Banco Master. Que, por sua vez, recebeu de Castro boladas generosas da grana que deveria garantir a aposentadoria dos servidores públicos fluminenses.
Castro, enquanto governador, participou de uma degustação de uísque que teria custado US$ 1 milhão. Em Nova York, foi duas vezes à churrascaria do chef turco Salt Bae, point de caudilhos, boleiros e demais ricos deslumbrados.
“Pede aquela carne de ouro”, recomendou Vorcaro com o desprendimento típico de quem torra o dinheiro alheio.
“Para que tudo isso?”, alguém há de se perguntar. Posso ajudar a responder.
Durante alguns anos, muito tempo atrás, trabalhei como editor numa revista que prezava o mercado de luxo. Fui convidado a provar comidas e bebidas que, embora ainda distantes dos valores das cortesias de Vorcaro, superavam enormemente meu orçamento de pessoa física.
Um vinho ou uísque que bate a cifra dos milhares de reais, via de regra, é muito bom –mas a etiqueta reflete status, não predicados objetivos.
Quanto ao bife de ouro, vou tentar descrever em termos que não me compliquem no departamento jurídico.
Ouro não tem gosto de necas de pitibiriba, é tão somente um marcador de posição social. Quando reveste comida, algo que no fim da linha se converte em excremento, é uma asserção grotescamente aviltante.
O prazer do governador diante da carne de ouro é escárnio e a certeza de que existe almoço grátis. Não mais para ti, Cláudio Castro.
Já que mencionamos uísque, trago uma receita da Escócia –nação que pega o Brasil na primeira fase da Copa.
Cranachan é uma sobremesa fácil de fazer para ocasiões especiais, já que usa alguns ingredientes que são caros no Brasil, como creme de leite fresco e framboesas. E uísque, claro, mas não precisa se aquele de US$ 1 milhão.
Cranachan
Rendimento: 2 porções
Dificuldade: fácil
Tempo de preparo: 30 minutos
Ingredientes
- 75 g de aveia em flocos grossos
- 3 colheres (sopa) de açúcar
- 350 ml de creme de leite fresco
- 2 colheres (sopa) de mel
- 2 colheres (sopa) de uísque
- 250 g de framboesa
Modo de fazer
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Prepare o crocante: aqueça a aveia com 2 colheres de açúcar. Quando o açúcar derreter, desligue o fogo e transfira para um tabuleiro para esfriar. Quebre em pedaços pequenos. Reserve.
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Bata o creme até atingir a consistência de chantili. Incorpore o mel e o uísque e bata mais um pouco. Reserve na geladeira
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Separe 4 a 6 framboesas para decorar a taça. Amasse as framboesas restantes com 1 colher de açúcar, até obter um purê
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Monte duas taças intercalando camadas de creme, crocante de aveia e purê e framboesas. Deixe na geladeira por 2 horas antes de servir
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Fonte.:Folha de S.Paulo


