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5 de maio de 2026

Ora 5 põe GWM na disputa pelo mercado de SUVs compactos – 04/05/2026 – Economia

Ora 5 põe GWM na disputa pelo mercado de SUVs compactos – 04/05/2026 – Economia

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Em um vídeo repetido à exaustão no campo de provas da GWM, em Baoding (China), Andrew Dyson, chefe de design da montadora, enaltecia o desenho do SUV compacto Ora 5. Os elogios causaram estranheza, já que há muitas semelhanças com modelos da linha Porsche, como o Macan.

O discurso pode ser explicado pela necessidade de expandir as fronteiras da montadora. O público que assistia ao vídeo era composto por jornalistas da América Latina e de países do mundo árabe e do Leste Europeu, mais receptivos aos carros chineses.

Segundo a consultoria Zag Work, foram produzidos 34,5 milhões de carros na China no ano passado, 45% a mais que a soma da fabricação na Europa e nos EUA no mesmo período. Outros 22 milhões poderiam ter sido feitos, o que aumenta a pressão para exportar mais. Além disso, os primeiros meses de 2026 registram queda nas vendas no mercado interno chinês.

O Ora 5 é um SUV compacto, tipo de carroceria que mais cresce em vendas no Brasil. Contudo, os executivos da GWM no país temem pela aceitação do modelo, devido ao estilo.

O carro estreará no mercado nacional nos próximos meses com motorização elétrica. Sua plataforma será a mesma utilizada no modelo que será montado no Espírito Santo, estado que receberá a segunda fábrica da marca no país. Hoje, a GWM monta modelos da linha Haval em Iracemápolis (interior de São Paulo).

Durante o teste promovido em Baoding, havia ainda opções com motor 1.5 turbo —híbridas ou somente a combustão. São carros que antecipam as opções que serão oferecidas no Brasil, mas com o acréscimo da tecnologia flex. Uma opção com motor 1.0, também turbinado, está em estudo.

O Ora 5 elétrico foi avaliado em um circuito definido por cones, sendo possível acelerar em linha reta a até 80 km/h, além de simular curvas e desvios rápidos.

Apesar das limitações, foi possível notar que a suspensão firme e a agilidade deixaram o carro com uma tocada mais ocidental. O ajuste foi feito sob medida para enfrentar rivais como o Volkswagen T-Cross, sem se limitar à disputa com os demais chineses.

O motor elétrico tem 204 cv de potência, de acordo com a GWM. A autonomia é de aproximadamente 350 km no uso urbano.

A montadora promoveu um crash test com impacto lateral para mostrar a segurança do SUV compacto. Uma barreira que se movia sobre trilhos colidiu com o carro a 60 km/h. Apesar das portas amassadas, a estrutura permaneceu íntegra. Os airbags laterais foram deflagrados.

O porta-malas do Ora 5 oferece 330 litros de capacidade tanto na versão elétrica como no modelo apenas a combustão, o que o coloca entre os menores da categoria. Na versão 1.5 híbrida, que ainda não virá para o Brasil, são cerca de 250 litros. Nesse caso, a bateria e demais componentes ocupam parte do espaço que seria dedicado às bagagens.

A cabine é espaçosa, tendo um ótimo vão livre para as pernas dos ocupantes do banco traseiro. A versão testada veio com forrações claras bem cuidadas, mas há opção de interior escuro.

Outro ponto positivo do SUV compacto da GWM é a presença de botões físicos para algumas funções, como as regulagens do ar-condicionado. Mas, claro, há uma tela gigante para a central multimídia, além do painel digital de instrumentos.

Se o interior agrada, o exterior segue como uma preocupação para os executivos da GWM no Brasil. A chegada do hatch elétrico Ora 03 já havia sido motivo de discussões sobre o efeito que poderia causar na imagem da empresa, que tenta estabelecer uma identidade própria.

Andre Leite, diretor de marketing da montadora no Brasil, afirma que a inspiração em modelos de sucesso ainda é uma característica cultural do mercado automotivo chinês. Nesse cenário, a marca Ora é parte da cultura pop.

A linha foi a mesma que deu origem ao Ballet Cat, um clone modernizado do Volkswagen Fusca que viralizou no início da década. O Ora 5 segue caminho semelhante ao replicar diversos traços da linha Porsche.

Em breve, a GWM irá saber se o mercado brasileiro verá o novo SUV compacto com o mesmo bom humor dos chineses em relação às suas cópias.

O jornalista viajou a convite da GWM e do grupo Stellantis



Fonte.:Folha de S.Paulo

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