Esqueça (com todo respeito) a Sidra Cereser, aquele bebida doce (muito doce) que fez/faz sucesso na época do Réveillon principalmente para quem precisa economizar a grana do champanhe —lá em casa, tinha todo ano. Além da economia, mamãe adorava.
Nesta sexta-feira (31), o Empório Alto dos Pinheiros (EAP, para os mais chegados) vai deixar as lupuladas de lado e promove a primeira edição do Sidra Fest, a partir das 14h, apenas com rótulos artesanais produzidos no Brasil.
Serão dez taps dedicadas às sidras, mais umas 20 opções engarrafadas. O bar também vai oferecer réguas de degustação, com pequenas doses de diferentes versões —o que ajuda aos que querem aproveitar a diversidade.
Paulo Almeida lembra que, da mesma forma que ajudou a formar o público bebedor de cerveja, venceu também o preconceito que muitos tinham exatamente por ter apenas como referência a Cereser (com todo respeito).
Em suas gôndolas, o EAP chegou a ter 16 rótulos diferentes, mas quase todos de sidras importadas. As internacionais sumiram e, aos poucos, pequenos produtores brasileiros começaram a investir na produção da bebida.
A querida sidra (com “s”) é uma bebida fermentada à base de maçã, em processo semelhante pelo qual passa a uva antes de ser transformada em vinho —a uva é esmagada, a maçã, triturada.
Sua origem é incerta, tem um monte de gente que gosta de assumir a paternidade. Certo é que os ingleses amam a sidra. É comum encontrar em qualquer pub de esquina pelo menos uma torneira dedicada à bebida.
Se fosse um jogador da Copa do Mundo, a sidra provavelmente atuaria pela Espanha (onde tem certificado de origem) ou pela França, mais especificamente pela Normandia, uma bela região histórica mais a noroeste de Paris, conhecida como o local do desembarque das tropas americanas no Dia D, da Segunda Guerra —isso sem falar na Bretanha, vizinha dos normandos.
No Sidra Fest teremos entre as opções engatadas a Aparesidra Hard Cider, de Belo Horizonte, com 7% ABV (teor alcoólico) e um toque azedinho, inspirada na escola inglesa.
A também mineira Zalaz oferece uma versão a partir das maçãs Eva e Julieta que foram cultivadas com preceitos da sustentabilidade. O resultado é uma bebida seca, no estilo encontrado no norte da Espanha e no País Basco.
Do Rio de Janeiro vem a Brett Craft Cider, no estilo bretão, com 4,6% de teor alcoólico. Já a Dádiva, de São Paulo, traz a versão feita para celebrar seu nono aniversário, um blend de sidras que passaram em barricas de carvalho francês. Chique.
A régua de degustação pode ser a saída para experimentar um pouco de cada uma. No entanto, não deixe de incluir uma opção da catarinense Cozalinda.
A cervejaria de Florianópolis que adora brincar com leveduras e afins em suas cervejas selvagens terá duas sidras na tap. Uma delas é a Mirim, com leveduras extraídas de uma colmeia e passagem por barril de carvalho (6% de álcool). A outra é a Manipueira Selvagem, que usa micro-organismos retirados da fermentação do suco de mandioca (7,1% ABV). As duas usam maçãs da cooperativa Sanjo (de São Joaquim).
Mesmo depois do evento, o EAP vai deixar sempre uma torneira reservada para sidra. Opções não faltam.
Sidra Fest
Empório Alto de PInheiros – r. Vupabussu, 305, Pinheiros, região oeste. Sex. (31), a partir das 14h, @eapsp
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Fonte.:Folha de São Paulo


