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25 de abril de 2026

Rearmamento global aumenta dívida pública de países – 25/04/2026 – Economia

Rearmamento global aumenta dívida pública de países – 25/04/2026 – Economia

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Metade dos países do mundo aumentou seus orçamentos militares nos últimos cinco anos, revertendo décadas de declínio pós-Guerra Fria. Em 2024, quase 40% das nações já alocavam mais de 2% do seu PIB (Produto Interno Bruto) para a defesa, ante 27% em 2018.

O movimento traz enorme desafio para países endividados e com déficits fiscais, caso do Brasil. Para financiar gastos em defesa, as nações desenvolvidas estão se endividando, o que significa que deverão pagar juros mais altos para rolar débitos crescentes.

O reflexo no Brasil ocorre porque investidores geralmente cobram do Tesouro taxas extras de juros (um prêmio de risco) acima do patamar internacional, sobretudo dos títulos norte-americanos, por conta do elevado endividamento público bruto brasileiro, de quase 80% do PIB. Em quatro anos sob Lula 3, a dívida pública deve saltar dez pontos percentuais.

Os Estados Unidos também têm déficits recorrentes, que pressionarão para cima os juros de seus títulos públicos. O Escritório de Orçamento do Congresso norte-americano estima a relação déficit/PIB numa média de 6,1% ao longo da próxima década, chegando a 6,7% no ano fiscal de 2036.

Os gastos com defesa têm ganhado tração com o novo compromisso da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de elevar as despesas na área para 5% do PIB até 2035, mais que o dobro da meta anterior de 2%.

Essa escalada ocorre em um momento de fragilidade nos mercados, segundo novo relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional): as expectativas de inflação subiram entre 0,3 e 0,8 ponto percentual devido ao conflito no Oriente Médio, elevando os rendimentos dos títulos soberanos e a volatilidade. Isso faz com que juros pagos por todos os países para refinanciar suas dívidas tenham que permanecer elevados.

Segundo o trabalho do Fundo, em um boom de defesa típico (com aumentos rápidos que duram mais de dois anos e meio), as despesas militares crescem, em média, 2,7 pontos percentuais do PIB. O financiamento é o ponto crítico: dois terços (66%) desses aumentos são pagos via déficit público.

Em apenas três anos após o início da elevação dos gastos militares, segundo estimativa do FMI, o déficit fiscal médio cresce 2,6 pontos percentuais do PIB. A dívida pública também aumenta cerca de sete pontos percentuais do PIB no mesmo período. Na média, o endividamento público global gira hoje ao redor de 100% do PIB mundial.

Quando os governos tentam evitar o endividamento via repriorização, o dilema “canhões versus manteiga” (gastar em armas ou em políticas sociais) resulta em cortes reais superiores a 20% em proteção social, saúde e educação.

Segundo o FMI, além de o endividamento para fins militares atingir os países mais frágeis em termos de endividamento, ele torna as condições de financiamento para empresas privadas mais restritas, sufocando o investimento corporativo não militar.

A Polônia é o caso mais extremo de rearmamento atual: elevou seus gastos de 2,2% para estimados 4,5% do PIB entre 2021 e 2025. O país financiou o salto quase totalmente via aumento do déficit público, aproveitando uma dívida inicial baixa (48% do PIB em 2022).

O estímulo econômico local, no entanto, é limitado, já que 80% do investimento em equipamentos militares foi destinado a importações (de EUA e Coreia do Sul), drenando recursos para o exterior e piorando o saldo das contas externas.

Até o Japão atravessa uma mudança histórica em sua postura de defesa, afastando-se do pacifismo adotado após a Segunda Guerra Mundial, e planeja atingir a meta de gastos de 2% do PIB no ano que vem.

Como contraponto em relação ao Brasil, documento do banco britânico Barclays aponta que, por ser exportador líquido de petróleo, a balança comercial do país está sendo beneficiada pelo choque de preços da commodity neste momento.

O banco destaca que a moeda brasileira também teve um desempenho superior ao previsto pelos modelos de sensibilidade histórica durante o início do conflito no Irã, superando a performance implícita pelo dólar e pelo apetite por “carry trade” —quando investidores tomam empréstimos em países com taxas de juros baixas (como Japão) e investem o dinheiro em economias com juros altos (como o Brasil).

Apesar disso, o Barclays afirma que a inflação (medida pelo IPCA) surpreendeu negativamente nas semanas recentes, mesmo antes do impacto total do aumento dos combustíveis, o que pode retardar a intenção do Banco Central de reduzir a Selic ao longo deste ano —o que manterá a pressão de alta para a dívida pública.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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