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1 de maio de 2026

Restaurante Mesa III serve massas artesanais em varanda – 30/04/2026 – Restaurantes

Restaurante Mesa III serve massas artesanais em varanda – 30/04/2026 – Restaurantes

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Crítica | SP
Mesa III

Quatro estrelas (muito bom)
R. Doutor Paulo Vieira, 21, Sumaré, região oeste. @mesa3_pastificio

Isto não é um restaurante. A frase está escrita no alto do cardápio do Mesa III, que agora abre também aos finais de semana para o almoço. Bom, se serve almoço é restaurante, certo? Sim. Mas não só. No Mesa III ninguém vai apenas para se alimentar.

Comer ali é reservar uma ou duas (quem sabe três…) horas para se conectar. Com os outros, em refeições que se alongam em conversas animadas. Com você mesmo, se for sozinho. Com comida de verdade, para quem presta atenção ao que chega à mesa. E com a cidade, já que a casa não tem muros nem grades. Em vez disso, um limoeiro na entrada parece convidar a se sentar em uma das mesas da varanda.

Prato branco com borda preta contém massa recheada coberta por molho vermelho, queijo ralado e folhas verdes, sobre superfície branca.

Cappeletti clássico de carne, do Mesa III


Laís Acsa/Divulgação

Ali, almoça-se fora, literalmente. A varanda não é ambiente de espera, mas salão principal. Se os grandes ombrelones não forem páreo para o sol, você pode pegar um chapéu de palha emprestado. Eles ficam à disposição e, uma vez na sua cabeça, fica mais fácil entender o conceito anunciado no alto do menu. Em que restaurante, afinal, come-se no quintal, entre vasos de tempero e plantas aéreas, usando um baita chapelão?

Com ou sem chapéu, degustar as massas artesanais da chef Ana Soares, à frente do Mesa III há 30 anos, é um deleite. Naquele almoço de domingo, começamos com um buquê —como são chamadas as saladas no cardápio— de folhas (R$ 34). Elas chegam muito frescas, numa tigelinha com lâminas de maçã verde, pedaços firmes de caqui, crocantes de pão, dill, hortelã e parmesão ralado.

Provei três pratos principais. O espaguetini (R$ 51) vem com o chamado delicado de tomate. Quem espera um molho aveludado se decepciona. Quem prefere algo mais fresco, se alegra.

Ele não gruda nem penetra na massa, deixando para ela o protagonismo —se você está acostumado com versões industrializadas e acha que elas não têm sabor, precisa experimentar uma boa massa fresca urgentemente. Voltando ao prato, a combinação com rúcula, caponata e pedacinhos de stracciatella (aquele queijo fresco conhecido como o recheio da burrata) rende uma complexidade sutil e intrigante.

Optar pelo cappelletti clássico de carne (R$ 63) é redescobrir esta receita. Eu mesma esperava algo pesado e com molho denso. O que chega é uma massa delicadíssima, com recheio suave e o mesmo molho mais fluido e com pedaços de tomate do espaguetini. A ressalva é que vem pouco, e quem pede não se sacia.

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No impecável ravióli plin de chévre ao pesto genovês (R$ 63), a chef novamente usa a caponata, que combina bem com o manjericão do molho e com o queijo de cabra do recheio, agregando doçura e acidez. Quanto ao tamanho, vem na porção ideal para terminar com gostinho de quero mais, mas satisfeito.

De sobremesa, o clafoutis de framboesa (R$ 31) é um mimo. A calda, de um vermelho intenso, revela um frescor que dá gosto. Mas a crostata de goiabada (R$ 31) consegue ser ainda melhor. Leve, arremata com uma camada de queijo cremoso que ajuda na brincadeira de texturas e contrastes.

Já tínhamos terminado quando vimos a chef passando entre as mesas, perguntando se os clientes estavam gostando da comida. Diante da resposta positiva, seguiu o caminho para a cozinha. Para sua fantástica fábrica artesanal de massas e quitutes que, aliás, podem também ser levados para casa. Estrategicamente, a conta é paga no caixa, que fica no ambiente interno, onde também funciona a rotisseria. Difícil resistir.





Fonte.:Folha de São Paulo

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